Caso dos respiradores - Biogeoenery protocola na justiça proposta de acordo e devolução dos R$ 24 milhões

27.06.2020
Caso dos respiradores - Biogeoenery protocola na justiça proposta de acordo e devolução dos R$ 24 milhões

Envolvida no imbróglio dos respiradores chineses vendidos pela empresa HempCare ao Consórcio do Nordeste por R$ 48 milhões, a empresa Biogeoenergy, ao lado de outras seis empresas parceiras, deve ingressar na Justiça com um pedido de restituição parcial de valores sequestrados, dentre outras providências em sua defesa.

Na prática, a Biogeoenergy pretende devolver em juízo os R$ 24 milhões recebidos da HempCare pela compra de 380 respiradores produzidos em Araraquara, que substituiriam os equipamentos chineses vendidos ao consórcio de estados do Nordeste, mas que a HampCare não conseguiu importar. O pedido se justifica porque as contas de todas as empresas ligadas ao grupo estão bloqueadas.

A devolução via justiça dos valores pela Biogeoenergy sempre foi a condição colocada pela empresa com sede em Araraquara, desde o início da ação policial desencadeada pela polícia baiana que a envolveu no problema entre a HempCare e os estados nordestinos. A posição foi revelada pelo CEO da empresa, Paulo de Tarso, em recente entrevista ao Programa Atualidade em Pauta, do Portal Cidade Araraquara.

De acordo com Paulo de Tarso, a Biogeoenergy vendeu os respiradores à HampCare, recebeu os R$ 24 milhões, e nunca tabulou negociações com o Consórcio, não tendo, portanto, como negociar diretamente com os estados envolvidos, a não ser em caso de intermediação judicial.

"Nós nunca recebemos nada dos estados do nordeste e não tivemos envolvimento algum na negociação entre eles e a HampCare. Queremos a devolução dos valores via justiça para evitar que amanhã a Hampcare nos acione pedindo alguma restituição, ou algo assim", explicou ao programa o CEO da Biogeoenergy ao programa Atualidade em Pauta.

Na entrevista (cujo vídeo está disponível no Facebook do Portal), Paulo de Tarso, que chegou a ser detido na operação Ragnarok, diz ter certeza de que houve corrupção no negócio envolvendo a venda de respiradores pela empresa Hempcare ao Consórcio do Nordeste, e afirma que foi ele quem denunciou o contrato.

 

Saiba mais sobre o problema dos respiradores 

Envolvida no escândalo que atingiu em cheio pessoas supostamente ligadas ao Consórcio do Nordeste e ao governo da Bahia, a empresa Biogeoenergy convocou a imprensa no final do mês de maio para um evento de apresentação dos respiradores que seriam montados nas suas unidades de Araraquara e da Bahia.

Menos de 10 dias depois, no entanto, a empresa foi surpreendida pela Operação Ragnarok, desencadeada pela Polícia Civil baiana, que abriu investigação contra a empresa Hempcare, responsável pela venda de respiradores chineses ao consórcio, em uma operação que atingiu a cifra de R$ 48,7 milhões.

A operação demandou o cumprimento de três mandados de prisão e 15 de busca e apreensão em Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e também em Araraquara.

De acordo com os autos, o Consórcio Nordeste teria adquirido junto a empresa Hempcare, um total de 300 ventiladores clínicos de UTI, que seriam distribuídos para todos os estados do nordeste. A Bahia receberia 60 respiradores e os demais estados ficariam com 30 cada.

O problema todo teria começado quando a HempCare se viu com dificuldades para efetivar a importação dos aparelhos, e procurou a Biogeoenergy para adquirir os equipamentos recentemente lançados pela empresa. O negócio envolveu a compra de 380 respiradores pelo valor de R$ 24 milhões, com o pagamento já efetivado.

Foi aí que começou tudo. Uma história que envolveria pagamento de uma comissão de R$ 15 milhões (valor citado em um áudio que o Portal Cidade Araraquara teve acesso), a tentativa de compra de outros 1,7 mil respiradores por parte da HempCare, além da citada doação de 30 respiradores por parte de um investidor para a Prefeitura de Araraquara, dentre outros.

Revista Cidade

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