APEOESP ameaça greve, mas volta às aulas ganha apoio e carreata em Araraquara

APEOESP ameaça greve, mas volta às aulas ganha apoio e carreata em Araraquara

Uma carreata, com pais e alunos de escolas particulares de Araraquara está marcada para acontecer no próximo sábado (16). O movimento é favorável ao retorno das aulas presenciais nas escolas no município e da região em fevereiro.

A decisão do baixada pelo Governo estadual, e acatada pela Prefeitura de Araraquara - o retorno está previsto para 8 de fevereiro na rede municipal - foi anunciada na última semana, mas gerou descontentamento em alguns setores da sociedade, com manifestações contrárias na internet de alguns funcionários e professores da rede pública.

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP) ameaça decretar greve da categoria caso a volta às aulas seja mantida para fevereiro. A entidade defende que os professores sejam considerados grupo prioritário para a vacinação.

A concentração para a carreata deste sábado será na Praça Pedro de Toledo, a partir das 9h30. Os organizadores afirmam que 27 cidades já confirmaram participação na manifestação.

 

Volta gradual é elogiada por pediatra

A volta gradual e responsável das aulas presenciais é de extrema importância para a saúde de crianças e adolescentes, tem aprovação das autoridades médicas. Recentemente um grupo de pediatras do hospital das Clínicas, e do Albert Einstein, de São Paulo, emitiram manifesto pedindo a volta das aulas.

Em Araraquara, o pediatra Jairo Luis de Mattos declarou apoio a medida e explicou as razões de pensar assim.

De acordo com o médico, a Sociedade Brasileira de Pediatria entende que o retorno gradual às aulas presenciais em um ambiente seguro traz ganhos emocionais e físicos aos alunos. Após cerca de um ano longe das escolas, muitas crianças e adolescentes vêm apresentando ansiedade, depressão, atraso de fala e até obesidade, segundo Dr. Jairo.

O pediatra ressalta, especialmente, os prejuízos emocionais e cognitivos ocasionados pelo longo período de isolamento social. “Vai aumentando o fosso de desenvolvimento cognitivo e de interação social. A interação é importante para o desenvolvimento do cérebro, para a maturação das crianças. O homem nasceu para ser socializado. Sem interação com outras pessoas o cérebro não se desenvolve”, explica.

Dr. Jairo pontua, ainda, que crianças e adolescentes apresentam quadros, em sua maioria, leves e ou assintomáticos de Covid-19, conforme aponta a comunidade médica.

Para ele, o prolongamento do fechamento das escolas impactaria, principalmente, nas crianças dos grupos sociais mais vulneráveis, gerando ainda mais prejuízos cognitivos e educacionais.

Como o retorno não é obrigatório, o médico dá dicas aos pais dos alunos que continuarão estudando em casa. Manter uma rotina como se o aluno estivesse indo à escola – incluindo acordar cedo para realizar as atividades escolares –, cuidar do sono e da alimentação estão entre as principais orientações.

Para aqueles que voltarão às atividades presenciais, as recomendações básicas são usar máscara, lavar as mãos com frequência, ter álcool em gel à disposição, levar a própria garrafinha de água para abastecer no bebedouro e manter o distanciamento.

Dr. Jairo Luis de Mattos é formado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, trabalhou na rede de postos de saúde de Araraquara por 31 anos, atualmente trabalha em consultório próprio e é professor da especialidade de Pediatria do internato de Medicina da Uniara.