Setor de alimentação pede socorro em Araraquara

Setor de alimentação pede socorro em Araraquara

Passados 60 dias do início da quarentena, a situação das empresas do setor de alimentação e hotelaria em Araraquara é dramática, e tende a ficar ainda pior.

Levantados por iniciativa do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Araraquara (SinHores), números parciais apontam para mais de 100 estabelecimentos já fechados na cidade, com expectativa de dezenas de outros fechamentos nas próximas horas.   

Isso, na prática, representa o desaparecimento de mais de 1,5 mil empregos diretos, com a perspectiva de esse número aumentar significativamente nos próximos dias. "Nosso setor é o que mais emprega na cadeia empresarial, e ninguém está aguentando mais. Não dá para ter uma ideia real do problema, mas se colocarmos os empregos indiretos nessa conta, os números são ainda maiores e mais dramáticos", explica Fernando Pachiarotti, presidente do SinHores.

"Pegue um restaurante, e levante quantas pessoas trabalham lá, entre recepção, balconistas, garçons, bar e cozinha. Depois divida esse número pelo metro quadrado do estabelecimento e você verá que proporcionalmente ele emprega mais do que um supermercado", ressalta.

O presidente chama ainda a atenção para o perfil desses profissionais. "Não são trabalhadores de alto poder aquisitivo, muito pelo contrário. Sem falar que muitos dos garçons são freelance, ganham pelo dia trabalhado, e todos estão parados, sem renda. Muitas dessas pessoas já estão atravessando sérios problemas para sobreviver", explica.

Pachiarotti chama a atenção para a falta de um olhar mais atento por parte das autoridades para a área. "Se o que estão dizendo for verdade, que as autoridades pensam em flexibilizar o setor só em agosto, posso adiantar que não precisam nem se preocupar. Em agosto não haverá um só estabelecimento para reabrir. Todos os dias recebo ligações de pequenos empresários dizendo que não aguentam mais, que vão fechar ou que já fecharam", alerta.

E ele faz questão de afirmar que não está menosprezando o vírus "Não defendo a reabertura do setor de qualquer jeito. Defendo a reabertura seguindo rígidos protocolos sanitários, com máscaras, com distanciamento, com mesas recebendo menos pessoas, com os estabelecimentos disponibilizando álcool gel, com fiscalização, com tudo o que for necessário, mas nós precisamos reabrir", afirma.

"Na área de alimentação tudo é perecível. Nós já perdemos todo nosso estoque. Se não agirmos rápido, com energia e celeridade, o desemprego, a falência e a desesperança, que já começam a fazer parte de nossa realidade, vão grassar em Araraquara e não haverá retorno. Não haverá pedra sobre pedra ", adverte.

E ele conclui: "Estou pensando em vida. Não há como dissociar economia de vida, é uma grande hipocrisia fazer essa comparação. Nós precisamos de ajuda e estamos pedindo essa ajuda para salvarmos quem ainda está de pé, e os empregos que ainda existem. Vamos nos sentar, construir uma saída conjunta e segura para salvarmos o que ainda restou. As empresas estão falindo e os empregos estão desaparecendo junto com elas. O que vai acontecer depois?", pergunta.