Shoppings já perderam 6 mil lojas e demitiram 100 mil pessoas na pandemia

Shoppings já perderam 6 mil lojas e demitiram 100 mil pessoas na pandemia

De acordo com Glauco Humai, presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), os shoppings brasileiros já perderam R$ 90 bilhões desde o início da pandemia de covid-19, além de 6 mil lojas e 100 mil empregos.

Em entrevista ao Poder360, Glauco afirmou que nenhum dos 601 shoppings brasileiros está funcionando de forma plena por conta das medidas restritivas impostas pela covid-19. Segundo ele, cerca de 20 estão fechados e 581 estão funcionando com “severas restrições”, segundo o executivo. Ele disse que, por isso, o setor ainda está “muito comprometido”, apesar da retomada do comércio.

O presidente da Abrasce calcula que os shoppings ficaram 6 meses fechados e pagaram R$ 1,2 bilhão em IPTU só em São Paulo na pandemia. “Nenhum lojista fechou porque quis ou por má gestão. Fechou porque o poder público mandou e não deu nenhuma medida compensatória”, disse.

“As perdas são superiores a R$ 90 bilhões, além de investimentos superiores a R$ 6 bilhões. O setor perdeu 32% do faturamento em 2020. Isso nos leva a níveis de 2009. Retrocedemos uma década, enquanto outros setores continuam trabalhando”, falou o presidente da Abrasce.

Justamente por isso, a Abrasce defende que as perdas do setor sejam compensadas pelo governo, “para que não continuem os fechamentos, o desemprego e a quebradeira”. Para isso, Humai propõe a isenção ou o adiamento de impostos estaduais e municipais.

“Temos conversado com as prefeituras pedindo isenção do IPTU [Imposto Predial e Territorial Urbano] para os próximos anos, parcelamento e queda do ISS [Imposto sobre Serviços]. No nível estadual, parcelamento, isenção de dívidas e descontos nos valores de ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços]”, afirmou.

A proposta de isenção fiscal da Abrasce reverberou em poucas cidades do país. Humai diz que compreende a situação dos governantes, já que o “Estado é deficitário e a perda de arrecadação não é bem-vinda”. Mas diz que vai usar “todos os caminhos necessários” para questionar as perdas relativas à pandemia e não descarta medidas judiciais.

“Se as conversas com os governos não andarem de forma negocial, não descartamos medidas judiciais para questionar perdas”, afirmou o presidente da Abrasce.

Para o presidente da Abrasce, o Refis que está sendo negociado pelo Senado Federal com o Ministério da Economia é “bem-vindo, mas não suficiente”. “As perdas do setor foram ocasionadas devido à gestão do poder público na pandemia, não por má gestão dos empresários. Medidas compensatórias são mais condizentes com o momento”, afirmou.