Coronavac: como é feita e como funciona a vacina envasada em SP

Coronavac: como é feita e como funciona a vacina envasada em SP

Com eficácia geral de 50,38% a CoronaVac, vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o instituto Butantan, apresentou 78% de proteção contra casos de covid-19 leve que exigem atendimento hospitalar.

Isso significa, que de todos os voluntários que foram vacinados e tiveram covid-19, 78% deles apresentaram quadros leves. Não houve casos moderados ou graves. Ou seja, a eficácia contra covid-19 severa foi de 100%, embora este número ainda não tenha significância estatística, segundo o diretor do Butantan, Dimas Covas.

Os testes de fase 3 da CoronaVac no Brasil foram realizados em 16 centros clínicos em 8 estados envolvendo 12.476 profissionais de saúde da linha de frente até o momento —220 contraíram covid-19. Dimas Covas, presidente do Butantan, ressaltou que novos voluntários continuam sendo convocados.

Entre as pessoas que receberam a vacina e pegaram a doença, não houve nenhum caso grave, moderado, internação hospitalar ou morte. Os casos leves foram prevenidos em 78%, ou seja, apenas 22% dos voluntários infectados com o coronavírus tiveram que procurar atendimento ambulatorial por conta de algum sintoma.

 

Como funciona a vacina

A vacina da Sinovac usa vírus inativados, ou seja, que foram expostos em laboratório a calor e produtos químicos para não serem capazes de se reproduzir. Por isso, eles não conseguem nos deixar doentes, mas isso é suficiente para gerar uma resposta imune e criar no nosso organismo uma memória de como nos defender contra uma ameaça.

O processo começa logo após a aplicação da vacina. As células que dão início à resposta imune encontram os vírus inativados e os capturam, ativando os linfócitos, células especializadas capazes de combater microrganismos. Os linfócitos produzem anticorpos, que se ligam aos vírus para impedir que eles infectem nossas células.

Enquanto isso, estimulam a produção e recrutam outras células do sistema imune, que começam a destruir as células que já foram infectadas pelos vírus da vacina. Os linfócitos se diferenciam em células de memória, que permanecem no corpo e permitem uma reação imune mais ágil se o vírus nos infectar de novo.

A aplicação da CoronaVac ocorre em duas doses, sendo a segunda entre 14 e 28 dias após a aplicação da primeira.

De acordo com o Butantan, vacinas de covid-19, em geral, estão desenhadas para proteger contra a doença. Portanto, existe a possibilidade de uma pessoa vacinada ser infectada e transmitir a infecção, mesmo sem ter sintomas. A duração da proteção de nenhuma vacina não é conhecida neste momento.

 

Segurança

A vacina da Sinovac usa uma tecnologia bastante tradicional de imunização, desenvolvida há cerca de 70 anos. Entre as que tomamos que utilizam essa tecnologia, estão as de gripe, hepatite A e poliomielite (na versão injetável).

A seu favor, conta a experiência de décadas no seu uso em saúde pública e sua segurança, além de serem de fabricação simples, manutenção viável em um país quente como o Brasil.