Custo Brasil foi decisivo para Ford fechar tudo no País

Custo Brasil foi decisivo para Ford fechar tudo no País

De acordo com análises de especialistas do setor automotivo, “a bagunça tributária” do País foi um dos principais fatores que levaram a Ford a fechar suas fábricas no Brasil, onde a montadora já estava instalada há 102 anos, e mudar o foco de suas atenções para a Argentina.

Mesmo com o país vizinho atravessando uma crise tão ruim, a montadora americana anunciou o investimento de R$ 3 bilhões por lá no mês passado. Cerca de 70% desse valor será investido na fábrica de General Pacheco, em Buenos Aires.

Outro motivo teria sido a intensa movimentação política que visa colocar um fim na guerra de incentivos fiscais que há anos beneficia a indústria automobilística no País, gerando uma disputa sem regras entre os estados, que exageraram na adoção da medida para conseguir a instalação de unidades em seus territórios.

A Ford avaliava que o provável fim das isenções aumentaria em muito os gastos da marca por aqui. Importante lembrar que ela se instalou na Bahia justamente pelas vantagens dadas pelo estado através de incentivos fiscais.

Segundo essas fontes, o fato de os custos fixos no país vizinho serem mais baixos, como os gastos com a mão de obra, também pode ter pesado na decisão.

Um estudo da Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostra que um carro no Brasil paga entre 48,2% e 54,8% de taxa, levando todos os impostos como ICMS, ISS, PIS e Cofins (e o efeito cascata embutido nele).

Outro ponto lembrado pelos analistas foi a queda de competitividade da marca no País, com a consequente queda de vendas dos veículos produzidos no Brasil (mais básicos e populares), ao mesmo tempo em que as vendas dos modelos produzidos na Argentina aceleraram.

Naquele País, a Ford investe em carros grandes, como picapes e SUVs. A Ranger vendida aqui no Brasil, por exemplo, vem de lá.

O Brasil, historicamente, concentrou a produção dos carros de passeio, graças ao seu mercado interno robusto. Porém, os carros populares, aparentemente, não eram mais tão lucrativos para a Ford.

A conclusão dos analistas é que, por tudo isso, e já que a Argentina é um país com expertise para a fabricação desses modelos de maior valor agregado, foi mais fácil ficar por lá.

De acordo com nota emitida pela Ford, o fechamento das unidades no Brasil deve gerar a demissão de cerca de 5.000 funcionários. Os números não batem com os cálculos do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari (BA). A entidade anunciou ontem que cerca de 10 mil trabalhadores serão atingidos só no local.