Primeiros estudos mostram que vacinas são eficazes e controlam avanço da Covid-19

Primeiros estudos mostram que vacinas são eficazes e controlam avanço da Covid-19

Passados pouco mais de quatro meses do início da aplicação, a comunidade cientifica mostra-se aliviada e feliz: criadas em tempo recorde, as vacinas contra a Covid-19 são eficazes, e capazes de controlar a transmissão do vírus.

Desde o início da crise, o objetivo inicial era conseguir contra a covid-19 um imunizante capaz de reduzir a gravidade da infecção e a mortalidade causada por ela.

E as novas vacinas se mostraram capazes disso. “O imunizante bloqueia em boa parte a entrada do vírus nas células, e com isso reduz o risco da tempestade inflamatória, causando uma forma mais branda da doença”, Rafael Dhália, doutor em biologia molecular e pesquisador da Fiocruz Pernambuco.

É por essa razão que vêm caindo as taxas de internações e mortes nos grupos prioritários que já receberam as diferentes vacinas pelo mundo afora.

Mas, além de diminuir a gravidade da infecção, outros efeitos positivos inesperados dessas vacinas estão começando a aparecer à medida que avançam os números de imunizados pelo mundo.

O mais significativo é o potencial de controle da transmissão do coronavírus.

Publicada pelo periódico Lancet, uma investigação, que avaliou 17 mil pessoas, foi pioneira em incluir voluntários assintomáticos numa pesquisa. Também nesse grupo, entre aqueles vacinados com uma única dose, houve diminuição no número de testes positivos para a presença do coronavírus na comparação com os não vacinados, sugerindo assim a possibilidade de o imunizante atuar na redução da propagação viral.  Um efeito inesperado e bem-vindo.

Com a vacinação em massa em lugares como Reino Unido e Israel, os especialistas avaliam que será possível observar uma queda nas ocorrências inclusive entre não vacinados.

“A parte da população imunizada acaba beneficiando aquela que ainda espera pelas doses”, analisa Renato Kfouri. “Mas vale lembrar que nesses países tem havido uma estratégia combinada com isolamento e distanciamento social bem-sucedidos, o que contribui para diminuir a transmissibilidade”, destaca.

Resultado semelhante foi obtido em estudo feito em Israel, este com o produto da Pfizer/Biontech, no qual a eficácia estimada para infecção assintomática foi de 29% durante o período de 14 a 20 dias após a primeira dose, subindo para 52% entre 21 a 27 dias.

Como foram produzidos em uma situação atípica, o desenvolvimento dos imunizantes contra Covid-19 levou em conta diretrizes específicas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Diante da urgência, o órgão estabeleceu, por exemplo, que seria aceitável um tempo de proteção de seis meses contra a doença, quando preferencialmente seria de um ano.  

Da mesma forma, estabeleceu-se como satisfatória a taxa de eficácia de 50% contra a doença e seus agravamentos (vale destacar que nenhuma vacina para diferentes doenças é 100% eficaz, e em geral taxas acima de 60 e 70% são consideradas boas).

Embora ainda com cautela, cientistas começam a investigar se tomar a vacina seria capaz de proporcionar uma trégua em sequelas como falta de ar, dores e cansaço, que muitas vezes se estendem por meses após a cura da doença.

Um estudo observacional feito na Universidade de Bristol, no Reino Unido, por exemplo, avaliou as queixas de 44 pacientes antes e depois de um mês de imunizados. Quando comparado aos participantes não vacinados, esse grupo relatou um pequeno alívio geral.

“Por enquanto só se pode dizer que pessoas que tiveram Covid-19 e se vacinaram, com certeza vão desenvolver uma resposta imunológica mais sustentada, evitando nova contaminação”, complementa Rafael Dhália.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em fevereiro deste ano pelo menos sete imunizantes contra o coronavírus já tinham sido lançados no mundo. Centenas de candidatos estavam em desenvolvimento - mais de 60 já em fase clínica, ou seja, com testes em humanos. Atualmente, há 13 imunizantes aprovados e 83 em fase de testes clínicos. E esses números tendem a continuar subindo.

“Nem o mais otimista de nós imaginava que em tão pouco tempo teríamos tantas vacinas contra a Covid-19”, diz o infectologista Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim).

Com informações da CNN