Biblioteca Municipal terá parte do acervo de Ignácio de Loyola Brandão

Biblioteca Municipal terá parte do acervo de Ignácio de Loyola Brandão

Doação de livros e documentos é uma parceria da Academia Araraquarense de Letras com a Prefeitura; circuito em locais importantes na vida do escritor também será instalado para visitação turística

A Biblioteca Municipal Mário de Andrade abrigará, em breve, parte do acervo pessoal do jornalista e escritor Ignácio de Loyola Brandão, o primeiro araraquarense imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL). A implantação do acervo é uma parceria da Academia Araraquarense de Letras com a Prefeitura.

O prefeito Edinho e a equipe da Secretaria de Cultura visitaram a biblioteca na manhã desta quarta-feira (4) para verificar os melhores locais para a instalação dos livros e documentos desse acervo. Eles estavam acompanhados do presidente da Academia Araraquarense de Letras e coordenador do curso de Direito da Uniara, Fernando Passos.

Além do acervo, também deve ser implantado o circuito Caminhos de Ignácio de Loyola Brandão, no qual 18 locais da cidade que foram importantes na vida do escritor serão estruturados para receberem turistas e incentivarem a literatura, com conteúdos em áudios e placas indicativas. O ponto de partida será a casa onde Loyola viveu sua infância, na Avenida Djalma Dutra, no São José, e a chegada será na Biblioteca Municipal.

“Será uma grande conquista para a cultura em Araraquara. As novas gerações e a população em geral terão acesso a livros e outros materiais que ajudaram a formar um dos grandes nomes da literatura do Brasil e do mundo. Agradeço muito ao Ignácio de Loyola Brandão e à Academia Araraquarense de Letras por esse gesto”, afirma o prefeito Edinho.

A secretária de Cultura, Teresa Telarolli, destaca que a instalação de parte do acervo do escritor na Biblioteca Municipal é um marco definitivo na história cultural de Araraquara. "Agradecemos a imensa generosidade de Ignácio de Loyola Brandão e a sensibilidade da Academia Araraquarense de Letras”, analisa.

Para Fernando Passos, a doação do acervo é uma grande conquista para a cultura local. “Ignácio de Loyola Brandão é um dos grandes nomes da literatura do Brasil e do mundo. Um filho ilustre de Araraquara. Araraquara irá completar 204 anos de história, a Academia Brasileira de Letras tem 124 anos e é a primeira vez que um araraquarense tem essa láurea da ABL. Esse acervo colabora para incentivar o gosto da leitura e da cultura na vida do povo”, disse o presidente da Academia Araraquarense de Letras.

Também participaram da visita o coordenador de Acervos e Patrimônio Histórico, Weber Fonseca, a presidente da Fundart (Fundação de Arte e Cultura de Araraquara), Gilsamara Moura, e a gestora da Biblioteca Municipal, Melba de Souza.

 

Biografia

Ignácio de Loyola Brandão nasceu em Araraquara, em 1936. Jornalista, romancista e escritor, passou pelas redações do jornal “Última Hora” e das revistas “Cláudia”, “Realidade”, “Setenta”, “Planeta”, “Ciência e Vida”, “Lui” e “Vogue”.

Loyola Brandão iniciou sua carreira jornalística em Araraquara como crítico de cinema, aos 16 anos, no semanário “Folha Ferroviária”, passando em seguida para o diário “O Imparcial”, onde ficou por cinco anos. Há mais de duas décadas, o araraquarense é cronista do jornal “O Estado de S.Paulo”.

O escritor tem mais de 40 livros publicados. São romances, contos, crônicas, relatos de viagens e livros destinados ao público infantil. Entre os romances mais conhecidos estão “Bebel que a Cidade Comeu”, “Zero”, “Não Verás País Nenhum”, “O Beijo Não Vem da Boca”, “Dentes ao Sol”, “O Anjo do Adeus” e “O Anônimo Célebre”.

Seus livros foram traduzidos para diversos idiomas, incluindo húngaro, tcheco e sul-coreano. Com “O Menino que Vendia Palavras”, Loyola Brandão ganhou o Prêmio Jabuti de Melhor Livro de Ficção de 2008. Em 2016, recebeu da Academia Brasileira de Letras (ABL) o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra. A mesma ABL que o acolheu, em outubro de 2019, como novo imortal.

Ignácio de Loyola Brandão ocupa a cadeira nº 11 da ABL, que pertencia ao escritor, sociólogo, cientista político e advogado Hélio Jaguaribe, falecido em setembro de 2018.