Lucas Tannuri é vencedor de Festival Internacional de Cinema de Animação

Lucas Tannuri é vencedor de Festival Internacional de Cinema de Animação

5º Festival Bang Awards é promovido pela Câmara Municipal de Torres Vedras (Portugal); premiação será realizada no dia 3 de outubro, em Portugal

O araraquarense Lucas Tannuri sagrou-se campeão na disputa online promovida pelo 5º Festival Bang Awards – Festival Internacional de Cinema de Animação, realizado pela Câmara Municipal de Torres Vedras, em Portugal. Com o filme "A Lápide", o brasileiro conseguiu 1.050 votos, fazendo de sua obra - entre outras 400 animações concorrentes - a preferida pelo público da internet.

O Bang Awards é um festival mundial que fomenta o interesse pelo cinema de animação junto do público, aliando o cinema à cultura, à inovação e à tecnologia. A 5º edição do festival teve como tema inspirador: "Changes", fazendo, assim, uma reflexão global sobre as mudanças que estão a acontecer no planeta.

A animação de Tannuri, "A Lápide", na verdade, é um clipe da música homônima, do também araraquarense Zé Henrique Martiniano. A canção é baseada nos escritos da lápide do importante propagador da doutrina espírita, Allan Kardec. Para ilustrar a canção, Lucas buscou traduzir a evolução da vida, colocando a natureza e todos os seus desdobramentos, como personagens principais.

"Eu estava terminando o CD Mensagens dos Poetas ‘Mortos' e convidei o Lucas para fazer uma animação sobre uma das faixas para divulgação do CD. Ao mesmo tempo, surgiu a oportunidade do festival e foi uma surpresa ganhar em primeiro lugar; foi uma honra! Os desenhos do Lucas captaram perfeitamente o que a música queria dizer. Ele usou uma coisa meio darwinista, uma coisa de evolução, traduzindo o que a música queria dizer, de uma forma artística e poética. Eu gostei muito ", aponta Zé Henrique Martiniano.

Com quase 20 mil visualizações na página do Festival, a premiação de "A Lápide" como a escolha popular irá render uma recompensa financeira ao ganhador. Por se desenvolver em uma plataforma online, o festival pode ser acompanhado em qualquer parte do mundo (www.bang-awards.com). O público é formado, principalmente, por produtores e artistas, crianças em contexto escolar e adultos à procura de inspiração, além de jovens - para quem as novas tecnologias são o futuro ou de pessoas que se deixam deslumbrar pelo encanto de novos mundos.

O prefeito Edinho, em suas redes sociais, parabenizou Lucas Tannuri pelo seu talento e sua premiação no Bang Awards. "(...) Lucas, como sempre faz, demonstrou toda sua sensibilidade em sua arte. Nossos sinceros reconhecimentos pelo talento e pelo carinho e amor que coloca em suas peças", apontou o prefeito.

 

Confira trecho da entrevista com Lucas Tannuri e saiba um pouco mais sobre a sua produção:

Lucas, sua trajetória no campo da comunicação e artes, se iniciou com a fotografia, é isso? Qual foi sua trajetória, em termos de produção artística, do início com a fotografia até chegar na animação?  

Lucas: Sempre gostei muito de ilustração e animação, apesar de achar que animação seria algo muito distante e que dificilmente conseguiria concretizar. Trabalhando como fotojornalista também tive oportunidade de ter contato e trabalhar como ilustrador de um caderno infantil semanal. Fiquei três anos realizando estas ilustrações. Também fiz trabalhos publicitários e autorais ainda nesta área.

 

Você é um artista de multilinguagens, correto? Fotografia, ilustração, animação/cinema/vídeos... enquanto artista, você tem uma linguagem favorita para produzir?  

Lucas: Sinto que para cada situação, tema ou público existe uma linguagem mais adequada ou que, pelo menos, pode criar uma conexão mais autêntica. Poder transitar e explorar estas diferentes linguagens,  variando o repertório, é algo que sempre me agradou.

 

Sobre a produção de "A Lápide", o que você pensou para elaboração do roteiro, de onde partiu a ideia? 

Lucas: Pensei nas várias formas de evolução. Na conectividade da vida como um todo, e também em sua desconexão. Nas integrações que temos e nas que deveríamos ter. Na percepção e não percepção de um enorme universo desconhecido, tanto externamente, quanto internamente. Não conhecemos a nós mesmos e nossa curiosidade percorre os universos. 

 

Qual o tempo de produção desta animação? Você fez todo o processo sozinho? 

Lucas: Fiz todo o processo sozinho. Foram aproximadamente 3 meses. 

 

Como e quando será a premiação do Bang Awards? 

Lucaas: Ocorrerá em Torre Vedras, Portugal, no dia 3 de outubro, mas não vou poder comparecer, devido à situação mundial de pandemia. 

 

Você foi premiado com outra animação recentemente, não é? Conta pra gente que prêmio e qual trabalho são esses. 

Lucas: Em julho, a animação "A Face Oculta da Lua" foi premiada pelo Itaú Cultural. Neste eu fiz as ilustrações, animação e trilha sonora (link: https://www.youtube.com/watch?v=_KcmgiSQ9Lc). Fiz no início da paralisação ainda sem imaginar que poderia participar de um concurso. No momento em que o ritmo de tudo mudou, num momento em que nosso ritmo interno também mudou. Foi uma pausa para respirar fundo e sentir sensações que normalmente não sentíamos. Uma pausa para que todos nós pudéssemos pensar em nossas reais prioridades.

 

A animação é uma linguagem que deve ganhar mais sua atenção daqui para frente, diante desses dois prêmios? Algum projeto em vista, seja de produção ou capacitação? 

Lucas: Animação sempre foi um sonho, mas sempre achei que fosse algo muito distante. Agora vejo isso de uma forma bem mais próxima. Pretendo estudar mais, produzir mais e aprender mais com esta linguagem a qual sou apaixonado. 

 

Para fechar: você, em 2018, lançou o livro "O Grande Desafio das Pequenas Coisas", desenvolvido juntamente com sua filha Marina, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista – TEA. Sua produção em animação também conta com a colaboração e apoio dela? Como a Marina reage às suas animações?

Lucas: A primeira vez que tentei animar algo foi justamente para a apresentação do Grande Desafio das Pequenas Coisas. Marina viu e adorou! Na época, e ainda um bom tempo depois, pedia para ver repetidas vezes. Sempre ria! Gael, meu filho mais novo, também teve a mesma reação depois de um tempo com esta mesma animação (quando fiz ele ainda era bebê). Eles são meu principal público. Sem dúvida, meu maior incentivo! E tenho muita vontade de inseri-los em várias outras narrativas, já que hoje, eles já se tornaram personagens.